Destaque

Dia Nacional de Enfrentamento ao Bullying e à Violência Escolar visa aprimorar o ambiente educacional

0 0

Nesta terça-feira, dia 7, é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas. A data foi estabelecida por meio de uma legislação federal com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de prevenir e lidar com diferentes formas de violência no ambiente escolar.

No estado do Rio Grande do Sul, a Rede Estadual realiza um trabalho contínuo através do NCBEE (Núcleo de Cuidado e Bem-Estar Escolar). Fundado em 2023, esse Núcleo cria estratégias para melhorar o clima nas escolas e auxiliar as instituições na promoção de relações mais saudáveis entre seus membros.

Ao identificar um caso de bullying, o primeiro procedimento é registrar a ocorrência na plataforma Cipave+ (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar), que serve como canal oficial para comunicação com o Núcleo. Entre 2024 e 2025, foram capacitados mais de 1.040 facilitadores para a realização dos Círculos de Construção de Paz. Atualmente, existem quase 2 mil comissões ativas na rede, e desde 2023, mais de 6 mil ações preventivas foram registradas na Cipave+, todas elaboradas pelas próprias escolas.

“A Seduc (Secretaria da Educação) reafirma seu compromisso em garantir ambientes escolares seguros, acolhedores e inclusivos”, informou a secretaria em um comunicado.

Descrição dos casos

As informações coletadas pela Cipave+ revelam que comportamentos como insultos ou apelidos ofensivos estão entre os tipos mais frequentes de bullying e cyberbullying.

A sala de aula é o local onde esses incidentes ocorrem com maior frequência. Por outro lado, no ambiente digital, a variedade de plataformas e a supervisão reduzida por parte dos adultos tornam as situações mais desafiadoras, exigindo uma colaboração ainda mais intensa entre escola, família e outros integrantes da rede de proteção.

Como identificar e notificar casos de bullying

Um aspecto importante que o Núcleo enfatiza é a compreensão precisa do que caracteriza o bullying. Segundo as normas atuais, considera-se bullying qualquer comportamento intencional, repetido e frequentemente sem justificativa clara — essa definição é crucial para que as escolas possam interpretar melhor as situações e oferecer respostas adequadas.

<pApós identificar um caso, o registro deve ser feito na plataforma Cipave+, que funciona como o canal oficial para contato com o Núcleo. Após essa notificação, as equipes das Coordenadorias Regionais de Educação monitoram a situação, revisam as ações já implementadas pela escola e colaboram com a equipe local para criar intervenções eficazes.

“Esse processo pode incluir orientações técnicas, visitas presenciais, acompanhamento remoto e, quando necessário, mobilização da rede intersetorial envolvendo serviços sociais, saúde e segurança pública, especialmente em casos que requerem atenção prolongada”, esclarece a Seduc.

Dados

Cerca de quatro em cada dez jovens brasileiros entre 13 e 17 anos relatam já ter sido alvo de bullying. Além disso, 27,2% desses alunos afirmaram ter enfrentado alguma forma de humilhação pelo menos duas vezes.

Essas informações foram divulgadas recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) através da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), baseando-se em relatos coletados em 2024 nas escolas brasileiras.

Comparado à pesquisa anterior realizada em 2019, observa-se um incremento de 0,7 ponto percentual no número total de estudantes que relataram ter sofrido bullying. Aumentou em mais de quatro pontos percentuais a proporção daqueles que passaram pelo menos duas vezes por essa situação. Essa informação foi destacada pelo gerente da pesquisa Marco Andreazzi.

“O bullying se caracteriza como um fenômeno persistente… Notamos uma tendência crescente nesse cenário, indicando que mais alunos estão vivenciando episódios recorrentes de violência”, acrescentou ele.

“Embora o número total permaneça praticamente estável, temos visto um aumento na intensidade e na frequência das ocorrências”, complementou.

Principais números

  • 39,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos passaram por bullying escolar;
  • No caso das meninas, esse percentual sobe para 43,3%; 
  • Aparências faciais ou capilares foram alvo em 30,2% dos registros;
  • 13,7% admitiram ter praticado bullying;
  • 16,6% dos alunos informaram ter sido agredidos fisicamente por colegas.

Perfil dos agressores

No tocante aos agressores identificados nas situações de bullying, os dados mostram uma relação inversa: apenas 13,7% dos estudantes relataram ter cometido atos violentos desse tipo — sendo que este número inclui 16,5% dos meninos e 10,9% das meninas.

O IBGE questionou também sobre as razões subjacentes às agressões cometidas; novamente a aparência física ou cor da pele foram os motivos mais frequentemente mencionados.

No entanto, surgiram diferenças significativas entre o que afirmaram os autores das agressões em comparação aos relatos das vítimas. Por exemplo: enquanto 12,1% dos agressores alegaram motivar suas ações por questões relacionadas ao gênero ou orientação sexual das vítimas, somente 6,4% das vítimas reconheceram essas características como motivo da violência sofrida.

A mesma discrepância ocorreu ao abordar deficiências: enquanto 7,6% dos agressores admitiram que suas ações foram motivadas por esse fator específico , apenas 2,6% das vítimas associaram suas experiências às suas deficiências.

Pesquisadores acreditam que isso pode indicar uma tendência das vítimas em não se pronunciar sobre detalhes do ocorrido devido ao medo ou preocupação com possíveis estigmas sociais. 

Agressões físicas e virtuais

A pesquisa também revelou que em certas circunstâncias os conflitos entre alunos se intensificam: 16,6% dos estudantes relataram já terem sido agredidos fisicamente por colegas; esse índice sobe para 18,6% no caso masculino.

Esse dado mostra um aumento desde 2019 quando apenas 14% relatavam agressões físicas ocorridas contra eles — sendo este percentual igualmente maior entre meninos (16,5%).

Ainda segundo o IBGE houve uma elevação na quantidade total de alunos agredidos duas ou mais vezes: passou-se de 6,5% para quase 9%. Por outro lado os casos relacionados ao bullying virtual via redes sociais caíram levemente: passaram de 13.2% para12.7%. Neste contexto as meninas são as mais afetadas: 15.2% delas relataram ter sido alvos de humilhações ou ameaças decorrentes destes conteúdos digitais frente a apenas10.3 %dos meninos.

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %