Nesta terça-feira (7), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou à comunidade de Bento Gonçalves, localizada na Serra Gaúcha, os resultados de seu mapeamento das áreas sujeitas a riscos geo-hidrológicos no município. O levantamento revelou a existência de 139 zonas com potencial de risco geológico.
Dentro deste total, o SGB categorizou nove áreas como de risco extremamente alto, 61 como de risco elevado e 69 regiões com risco moderado. A pesquisa abrange cerca de 1,4 mil propriedades e aproximadamente 5,9 mil pessoas que estão vulneráveis a diversos fenômenos geo-hidrológicos, incluindo deslizamentos, enxurradas, inundações e quedas de rochas.
Os especialistas ressaltam que os riscos detectados estão intimamente ligados à ocupação inadequada de encostas e áreas propensas a processos geológicos, além de intervenções impróprias no solo e chuvas intensas.
“O diagnóstico técnico que realizamos permitirá orientar intervenções estruturais e não estruturais por parte da prefeitura para reduzir a exposição da população e aumentar a capacidade de resposta do município diante de eventos extremos”, explica o pesquisador do SGB Tiago Antonelli, chefe da Divisão de Geologia Aplicada.
Detalhamento
No Distrito Faria Lemos, reside o maior número de pessoas em áreas classificadas como de risco muito alto, totalizando mais de 290 indivíduos em seis setores vulneráveis a enxurradas, deslizamentos e corridas de massa. Quanto ao risco alto, o Bairro Municipal é o que abriga mais habitantes expostos: são 264 pessoas em um setor na Rua José Gasperini que corre o risco de deslizamento. Já no bairro Zatt, na Rua João Domingos, vivem 648 pessoas em uma área com risco médio para deslizamentos.
Outros bairros identificados com áreas de risco muito alto incluem Zatt, Municipal e Fenavinho. As zonas classificadas sob risco alto abrangem Eucaliptos, Zatt, Municipal, Universitário, Progresso, Borgo, Estrada Buratti, Estrada Zemith, Conceição, Vale dos Vinhedos, Vinosul, Fenavinho, Barracão, Vila Nova, Vila Nova II, Salgado, Santa Helena, Linha Ferri, Linha Quilômetro 2, Linha São Martinho da Paulina e São Luiz da Santa Jabuticaba. Os distritos Faria Lemos e Tuiuty também estão inclusos nessa classificação.
<pAs áreas com classificação média incluem Eucaliptos, Zatt, Fenavinho, Municipal, Roque, Universitário, Progresso, Borgo, São Paulo, Jardim Glória, Vinosul e Imigrantes. Também fazem parte dessa lista as comunidades Vila Nova I e II , Santa Helena , Fátima , Caminhos da Eulália , Juventude da Enologia , além dos distritos Faria Lemos e Tuiuty , Comunidade Capela São Luís , Capela Santo Antônio de Paulina , assim como as linhas Passo Velho , Ferri , Imaculada Conceição , Eulália Baixa e Estrada Velha – São Valentim.
A diretora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPURB) de Bento Gonçalves,salientou: “O município irá analisar o conteúdo do documento apresentado junto à equipe técnica para considerar as propostas sugeridas. A prefeitura já está implementando diversas ações preventivas como obras de drenagem e contenção em locais como Vale dos Vinhedos e Faria Lemos. Desde os incidentes ocorridos em 2024 avançamos consideravelmente.”
Planejamento urbano
A divulgação dos dados ocorreu durante uma audiência pública que faz parte das etapas para elaboração do PMRR (Plano Municipal de Redução de Riscos). Este plano é desenvolvido em colaboração com a Secretaria Nacional de Periferias do MCid (Ministério das Cidades) com o intuito de apoiar o planejamento urbano e mitigar a vulnerabilidade da população frente a eventos climáticos extremos.
No decorrer do evento foi exibido um vídeo onde Guilherme Simões,diretor Nacional de Periferias do MCid enfatizou: “A prevenção contra riscos não se trata apenas de engenharia; é uma questão que envolve justiça social.”
O Plano Municipal de Redução de Riscos é um componente essencial da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Sua principal função é identificar quais áreas urbanas estão suscetíveis a perdas ou danos resultantes de fenômenos geológicos ou hidrológicos. Adicionalmente,o documento orienta decisões sobre investimentos públicos,e estratégias urbanísticas voltadas para a mitigação das vulnerabilidades sociais.
A criação desse plano é fruto da colaboração entre o Serviço Geológico do Brasil e a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades. Essa parceria busca implementar PMRRs em diversas cidades brasileiras; no Rio Grande do Sul já foi entregue o PMRR correspondente a Santa Cruz do Sul.
A expectativa é que esse novo estudo se torne um alicerce para políticas públicas focadas na ocupação segura do território e na proteção dos cidadãos em Bento Gonçalves.
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