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Governo do Rio Grande do Sul projeta recuperação da agropecuária para 2026

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O governo do Rio Grande do Sul apresentou o Boletim de Conjuntura referente a abril de 2026, que oferece uma análise aprofundada sobre o desempenho econômico do estado no contexto dos mercados nacional e internacional. O documento destaca um crescimento significativo na agropecuária, impulsionado principalmente pelo aumento na produção de soja e milho.

Embora o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tenha revisado para baixo sua previsão inicial de supersafra, a produção de soja deve atingir 18,3 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 34,6% em relação a 2025. Além disso, o cultivo de milho deve crescer 21,8%.

O relatório evidencia uma recuperação na produção agrícola após um período de recessão devido a condições climáticas adversas. No último trimestre de 2025, o setor agropecuário já havia registrado um crescimento de 16,7%, sinalizando o início de uma trajetória de recuperação que se estenderá por 2026.

Produção e exportações

A produção de uva também deve registrar um aumento significativo, com expectativa de crescimento de 8,6%, superando a marca de 1 milhão de toneladas. Apesar da diminuição nas exportações do setor agropecuário, as vendas externas relacionadas à alimentação — que estão indiretamente ligadas ao agronegócio — aumentaram no primeiro trimestre de 2026, apresentando um crescimento de 16,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 1,3 bilhão.

No total, o estado alcançou exportações totais de US$ 4,4 bilhões nos primeiros três meses de 2026, representando uma queda de 7,5% em relação a 2025. Esse desempenho negativo foi influenciado pela retração da agropecuária (-15,1%) e da indústria (-5,8%), especialmente devido à redução expressiva de 77% nas exportações de soja.

Base econômica

A perspectiva para o setor agropecuário ocorre após uma contribuição negativa para o PIB em 2025, quando a economia cresceu apenas 0,9%. Em contraste, tanto a indústria quanto os serviços tiveram um avanço notável de 1,7% cada durante o ano. No início deste novo ano (2026), os indicadores revelam uma desaceleração nessas atividades. Nos dois primeiros meses do ano, indústria, comércio e serviços apresentaram retrações tanto em comparação com os meses anteriores quanto em relação ao mesmo período do ano passado.

A produção industrial sofreu uma queda de 3% quando comparada ao mesmo bimestre do ano anterior. Segmentos como veículos automotores, celulose e papel e máquinas e equipamentos foram fortemente impactados. O comércio varejista ampliado também apresentou resultados negativos com vendas reduzidas em 4,7% na mesma base comparativa. Por sua vez, o setor serviços teve uma diminuição de 2,1% no intervalo analisado.

Trabalho e renda

No quarto trimestre do ano passado (2025), a taxa de desocupação foi estabelecida em apenas 3,7%, marcando o menor índice desde que se iniciou a série histórica da Pnad Contínua em 2012. Durante o trimestre que se encerrou em fevereiro de 2026, dados do Novo Caged mostraram a criação de 4.733 novas vagas formais no mercado laboral, sendo a agropecuária um dos principais setores responsáveis por esse crescimento devido às atividades relacionadas à colheita. No acumulado dos últimos doze meses até então, foram gerados no estado um total de 29.742 empregos formais com destaque para o setor serviços.

Cenário e perspectivas

A arrecadação real do ICMS atingiu R$ 13,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano (2026), apresentando uma redução de 2,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda foi influenciada pelo desempenho negativo das indústrias e do comércio. No Brasil como um todo, houve um crescimento do PIB na ordem de 2,3% em 2025; porém essa taxa mostrou sinais claros de desaceleração ao final daquele ano. A inflação acumulada até março deste ano foi registrada em 4,14%, enquanto a taxa Selic foi ajustada para baixo para alcançar os atuais 14,75% ao ano.

No cenário global projetado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), espera-se um crescimento econômico mundial na casa dos 3,1% para o ano corrente (2026), apesar das incertezas geradas por tensões geopolíticas e flutuações nos preços internacionais do petróleo.

O Boletim de Conjuntura para este exercício indica um cenário repleto de incertezas que requer cautela. No que tange à agropecuária, os altos custos produtivos e o endividamento dos agricultores podem impactar negativamente as áreas cultivadas com trigo no segundo semestre. Para os setores industrial e comercial, as taxas elevadas dos juros aliadas ao nível elevado da dívida das famílias poderão limitar ainda mais o ritmo da atividade econômica.

O post Governo do RS prevê retomada do crescimento da agropecuária em 2026 apareceu primeiro em Agora RS.

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