Nesta terça-feira (30), a Polícia Civil deu continuidade às investigações para encontrar os corpos de Silvana de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos. A nova etapa das buscas ocorreu na Estrada do Paquetá, em Canoas, motivada por uma denúncia anônima recebida.
Com o auxílio de cães farejadores, as operações foram encerradas às 15h15, sem que os corpos fossem localizados.
A família, originária de Cachoeirinha, está desaparecida desde o final de janeiro. As autoridades tratam o ocorrido como dois casos de feminicídio e um homicídio, considerando remota a possibilidade de encontrar os indivíduos com vida.
No âmbito do processo penal, a fase atual envolve a resposta das defesas às acusações. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, se encontra detido. Sua atual parceira, Milena Tainá Ruppenthal Domingues, assim como seu irmão, Wagner Domingues Francisco, também enfrentam acusações e respondem em liberdade.
Processo em segredo judicial
No dia 4 de maio, a Justiça formalizou a condição dos três acusados como réus, conforme decisão do juiz Márcio Luciano Rossi Barbieri Homem da 1ª Vara Criminal.
Cristiano é acusado por dois feminicídios, um homicídio qualificado, ocultação de cadáveres, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz.
Milena enfrenta acusações por sua participação nos dois feminicídios e no homicídio qualificado, além da ocultação de cadáveres e outros crimes relacionados.
Wagner é réu por ocultação de cadáveres e fraude processual.
O andamento deste processo ocorre sob segredo judicial.
Motivação dos crimes
A denúncia sugere que os crimes estão ligados a desavenças sobre a guarda e convivência do filho de Silvana com seu ex-parceiro.
O MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) atribui os atos violentos ao descontentamento em relação às limitações impostas pela vítima. A promotoria também solicitou a perda do cargo público ocupado por Cristiano e sua inabilidade para exercer o poder familiar.
Segundo as alegações da denúncia, Silvana foi assassinada na noite do dia 24 de janeiro em sua residência localizada no bairro Parque Granja Esperança em Cachoeirinha. No dia subsequente ao crime, seus pais teriam sido iludidos por mensagens e ligações fraudulentas que simulavam comunicação proveniente da filha.
Inquérito abrangente
A Polícia Civil finalizou o inquérito em abril, mas as buscas pelos corpos permanecem ativas. O delegado Anderson Spier informou que ainda restavam análises a serem realizadas sem novas informações além das já coletadas.
A investigação acumulou mais de 20 mil páginas de documentos e envolveu a análise de 16 celulares e mais de 10 terabytes de dados obtidos através desses dispositivos. Ao todo, foram ouvidas 34 testemunhas durante o processo investigativo.
A Polícia Civil indicou que Cristiano utilizou o celular de Silvana após sua morte para criar uma narrativa falsa sobre seu desaparecimento. Além disso, ele teria utilizado um software com inteligência artificial para clonar a voz da vítima com o intuito de atrair seus pais.
Cristiano permanece detido preventivamente desde fevereiro no BOE (Batalhão de Operações Especiais) em Porto Alegre.
