Nesta sexta-feira (14), o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) realizou uma operação que resultou no cumprimento de 33 mandados de busca e apreensão em Pelotas e Capão do Leão. O objetivo foi investigar práticas de rachadinha, lavagem de dinheiro e a utilização indevida de cargos na Câmara Municipal de Pelotas para favorecer membros de uma organização criminosa. As ações focaram em 20 indivíduos, incluindo três vereadores.
Os nomes dos investigados não foram revelados pelo MP-RS, e a equipe do Agora RS não conseguiu verificar de forma independente a identidade dos alvos das investigações.
Dentre as ordens judiciais cumpridas, cinco foram realizadas nas instalações da Câmara Municipal, abrangendo tanto gabinetes de vereadores quanto áreas de trabalho de servidores sob investigação. Durante as buscas, R$ 96 mil foram encontrados com dois vereadores e um assessor parlamentar, além da apreensão de documentos e mídias digitais.
A Operação Expurgo está centrada na prática conhecida como rachadinha, onde agentes públicos exigem que parte dos salários de servidores comissionados seja repassada a terceiros. Segundo o MP-RS, os ocupantes desses cargos eram forçados a transferir uma fração dos seus vencimentos para pessoas ligadas ao esquema, sendo que esses valores eram posteriormente ocultados e movimentados para fins pessoais.
A investigação também abrange a possibilidade de lavagem de dinheiro devido a essas movimentações financeiras. O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) está analisando o uso indevido das funções legislativas para beneficiar integrantes da organização criminosa, bem como a utilização de recursos públicos para saldar dívidas relacionadas à agiotagem e movimentar quantias provenientes de atividades ilícitas.
As diligências visam aprofundar a investigação sobre crimes como organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva e usura, além de outros delitos que possam emergir durante o processo investigativo.
A origem do caso se deu por meio de relatos espontâneos ao MP-RS por um ex-secretário municipal e dois servidores da Câmara. O GAECO destacou que as informações foram confirmadas por documentação, evidências digitais e dados financeiros obtidos com autorização judicial.
Dentre os 20 alvos identificados, 19 são indivíduos e um é uma pessoa jurídica. Além dos três vereadores envolvidos, as medidas alcançaram um chefe de gabinete parlamentar, cinco assessores parlamentares e servidores comissionados, três guardas municipais, um ex-assessor comissionado e seis pessoas adicionais que incluem empresários e familiares.
