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Desastres climáticos elevam número de vítimas e agravam a insegurança alimentar

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Nos últimos meses de 2026, o planeta tem enfrentado uma série de eventos climáticos extremos. O IPAM Amazônia (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) aponta que essas ocorrências estão diretamente ligadas ao aquecimento global. As previsões indicam que o fenômeno El Niño, já em curso neste ano, tende a intensificar seus impactos ao longo dos próximos meses.

A ação desses fenômenos climáticos já resultou em inúmeras perdas humanas e materiais neste ano. Entre os efeitos registrados estão um número elevado de mortes, deslocamentos forçados e um aumento no número de pessoas desalojadas e desabrigadas. A insegurança alimentar surge agora como uma nova preocupação, conforme alertam as Nações Unidas.

Mais de 10 mil mortes na Europa

Até 28 de julho, as Nações Unidas informaram que mais de 250.000 hectares de terras foram devastados por incêndios na Europa, com 1.254 ocorrências relatadas desde o início do ano.

Incêndios florestais em escala recorde atingiram países como França e Espanha, impulsionados por ondas de calor severas que secaram a vegetação. Essas condições extremas levaram a evacuações em massa e causaram danos significativos às economias locais e nacionais.

Segundo a rede EuroMOMO, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, a Europa registrou mais de 10 mil mortes acima da média histórica durante essa onda de calor intensa, sendo que mais de 90% dessas fatalidades ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.

Os dados da EuroMOMO mostram um aumento significativo na mortalidade desde a 26ª semana do ano.

Impactos em outros continentes

No final de julho, temperaturas extremas no Norte da África chegavam próximas a 49°C, colocando vidas e meios de subsistência em grande risco e sobrecarregando hospitais e redes elétricas.

No Japão, temperaturas recordes têm sido registradas com uma sequência incomum de dias ultrapassando os 40°C.

Enquanto isso, tanto a Índia quanto a China enfrentaram enchentes e ondas de calor simultaneamente; por outro lado, o Chile se viu lidando com inundações e nevascas.

No Brasil, o Rio Grande do Sul experimentou sua primeira onda significativa de chuvas do ano, resultando em inundações que deixaram milhares sem abrigo devido à forte chuva, granizo e até ocorrência de tornados.

Incremento da fome

Além das consequências diretas para a saúde humana, as alterações climáticas também devem afetar negativamente a produção agrícola. As Nações Unidas estimam que cerca de 50 milhões de indivíduos vivendo em comunidades extremamente vulneráveis poderão enfrentar situações críticas de fome devido ao fortalecimento do El Niño. Essa informação foi divulgada na quarta-feira (5) pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.

A análise abrangeu 45 países já considerados em situação crítica quanto à segurança alimentar — onde os efeitos do El Niño impactarão significativamente padrões climáticos como precipitação, temperatura, inundações e secas. A previsão é que o total de pessoas passando por insegurança alimentar aguda aumente de 225 milhões para 274 milhões, representando um crescimento aproximado de 22%.

Regiões da América Central e do sul da África devem sofrer os maiores impactos dos eventos climáticos extremos; no entanto, efeitos significativos também são esperados para o leste africano e para o Sul e Sudeste Asiático.
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