Nesta terça-feira (23), o influenciador digital conhecido como Nego Di, cujo nome verdadeiro é Dilson Alves da Silva Neto, foi sentenciado a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Ele foi considerado culpado pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documentos falsos. A sentença também incluiu Gabriela Vicente de Sousa, parceira de Nego Di, que recebeu uma pena de 8 anos e 4 meses de reclusão, também em regime fechado, por sua participação na lavagem de dinheiro.
A determinação judicial foi proferida pelo juiz Ricardo Petry Andrade, na 2ª Vara Estadual responsável pelos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Além das penas principais, Nego Di foi sentenciado a cumprir 1 ano e 15 dias em regime semiaberto por promover loterias ilegais.
Rifas eletrônicas
Segundo as acusações, entre novembro de 2022 e maio de 2024, Dilson organizou ao menos 34 rifas eletrônicas sem a necessária autorização legal. Essas atividades eram divulgadas em suas redes sociais e prometiam prêmios em dinheiro e bens aos participantes que comprassem bilhetes.
A fraude mais notável envolveu uma rifa que oferecia um Porsche Macan, estimado pelo influenciador em R$ 500 mil. Além deste carro, a campanha anunciava prêmios em dinheiro totalizando cerca de R$ 650 mil.
O Ministério Público destacou que essas ações resultaram em um dano financeiro superior a R$ 185,3 mil para pelo menos 9.683 pessoas. O juiz ressaltou que as evidências demonstram que Dilson não tinha a intenção real de entregar os prêmios prometidos.
Adicionalmente, a sentença indicou que o influenciador anunciou o término da rifa de maneira enganosa e simulou tentativas de contato com uma suposta vencedora para dar uma impressão de legitimidade à campanha.
Lavagem de dinheiro
As acusações afirmaram que Dilson e Gabriela se envolveram na ocultação da origem ilícita de mais de R$ 2,4 milhões. Essa movimentação financeira incluía contas pertencentes a terceiros e operações bancárias feitas com o intuito de parecerem legítimas.
A decisão judicial revelou que os valores obtidos ilegalmente foram transferidos para contas bancárias registradas em nome de Gabriela e uma empresa da qual ambos eram sócios. Também houve transferências para outras contas com o objetivo de misturar esses recursos com valores legais para dificultar o rastreamento.
O juiz considerou que Gabriela desempenhou um papel crucial na lavagem do dinheiro. Ela utilizou sua conta pessoal e as finanças da empresa para facilitar a circulação dos fundos ilícitos e se beneficiou diretamente da compra de bens com esses recursos.
PIX falso sobre doação às enchentes
Além disso, Nego Di foi condenado pelo uso indevido de documento falso após publicar nas redes sociais um comprovante fictício de transferência via PIX no valor de R$ 1 milhão destinado a ajudar vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
Conforme indicado na sentença, a transferência real realizada foi apenas no valor de R$ 100. O juiz observou que Dilson obteve um comprovante autêntico e alterou o montante para R$ 1 milhão antes de divulgar como se fosse verdadeiro.
Penas aplicadas pelo magistrado
O juiz estipulou para Dilson Alves da Silva Neto uma pena total de 9 anos, 4 meses e 8 dias por lavagem de dinheiro; além disso, ele recebeu penas separadas: 3 anos e 22 dias por uso indevido de documento falso e mais 2 anos e 1 mês por estelionato.
Ele também foi penalizado com mais um ano e quinze dias por promover loterias ilegais. As condenações incluem multas diárias correspondentes ao salário mínimo nacional vigente na época dos delitos.
Gabriela Vicente de Sousa teve sua pena estabelecida em 8 anos e 4 meses por lavagem de dinheiro, além da imposição de multa correspondente a dezesseis dias-multa.
