Nesta segunda-feira (20), o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) executou três mandados de busca e apreensão na cidade de Pelotas. Essas ações fazem parte de uma investigação que investiga lavagem de dinheiro relacionada a uma organização criminosa atuante no Sul do Estado.
Intitulada Operação Hibernação, essa ação é um desdobramento das Operações Caixa-Forte I e II e tem como objetivo a identificação da ocultação de ativos ilícitos por meio da aquisição de bens.
As buscas foram realizadas em um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 500 mil, que a investigação identificou como um dos locais utilizados para a lavagem de dinheiro. Além disso, as ações ocorreram na residência de uma servidora pública estadual e na construtora responsável pela obra em questão. Até o momento, pelo menos três indivíduos estão sendo investigados.
Aquisição sob suspeita
Segundo informações do Ministério Público, documentos obtidos em fases anteriores da operação Caixa-Forte indicaram que a servidora adquiriu o imóvel ainda na planta. Entre os registros coletados, estava um recibo da compra do apartamento, que é considerado um meio para disfarçar dinheiro proveniente de atividades criminosas e beneficiar um parente de um dos líderes da facção.
A investigação atribui a responsabilidade pela lavagem de dinheiro a um grupo financeiro ligado a um detento já condenado por associação ao tráfico de drogas. Além disso, esse indivíduo possui condenações por homicídio qualificado e posse ilegal de arma de fogo, somando quase 20 anos de pena em regime fechado.
Histórico das operações
A Operação Caixa-Forte teve início em dezembro de 2023, com foco na entrada de drogas, celulares e outros materiais ilegais no Presídio Regional de Pelotas. Na fase inicial, foram confiscados 53 celulares, cerca de R$ 69 mil em espécie, além de drogas e documentos relacionados à contabilidade do tráfico.
Em novembro de 2024, a etapa II da operação ampliou seu foco para investigar a estrutura financeira da facção. Nessa fase, foi detectada movimentação superior a R$ 32 milhões, resultando no cumprimento de mais de 170 mandados judiciais que incluíram prisões, bloqueio de contas bancárias e apreensão de bens.
