SUS amplia acesso a novos tratamentos para o câncer com inclusão de medicamentos inovadores

São nove medicamentos indicados para 13 diferentes tratamentos O post Saúde inicia oferta de novos medicamentos oncológicos no SUS apareceu primeiro em Agora RS.

21/10/2026 · Negócio em Alta
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Nesta semana, o Ministério da Saúde inicia a disponibilização de nove novos medicamentos de alta tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS) destinados ao tratamento do câncer. Essa é a maior inclusão já realizada para o cuidado oncológico, que atenderá integralmente a demanda por esses fármacos.

Os novos medicamentos são voltados para 13 tipos diferentes de tratamento oncológico e beneficiarão mais de 116 mil pacientes.

A implementação começará em 20 centros especializados por todo o Brasil, com planos de expansão para todas as demais unidades até o final do ano.

A aquisição desses medicamentos terá um impacto financeiro estimado em R$ 155,4 milhões anualmente.

A expectativa é que até o fim do ano sejam incorporados 23 novos fármacos oncológicos, aumentando em 35% as opções disponíveis na rede pública de saúde.

Para viabilizar a inclusão dos 23 medicamentos, o Ministério da Saúde fez a compra e negociação direta de dez deles, além de ter estabelecido uma ata para aquisição com preços reduzidos para outros nove fármacos. Para os quatro restantes, foram ampliados os repasses para custear os serviços oncológicos no SUS.

O impacto financeiro total será de aproximadamente R$ 4 bilhões por ano.

Durante uma cerimônia no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a modernização e qualificação da rede de tratamento do câncer no país está sendo realizada com tecnologia avançada, promovendo uma transformação que coloca os pacientes como prioridade e assegurando acesso a exames e tratamentos adequados num tempo oportuno.

“Estamos também fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais apta a atender as necessidades da população”, destacou durante o evento.

Os nove novos tratamentos possuem mecanismos distintos de atuação, dependendo do tipo de tumor, estágio da doença e perfil dos pacientes. Os principais benefícios incluem aumento na sobrevida e melhoria na qualidade de vida dos indivíduos tratados.

Além disso, há opções terapêuticas após cirurgias quando não existem sinais visíveis da doença, visando prevenir recidivas.

As unidades que participarão dessa nova fase estão situadas em 16 estados: São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe, além do Distrito Federal.

Confira a lista dos novos medicamentos:

  • trastuzumabe – câncer de estômago ou junção esofagogástrica;
  • abemaciclibe – câncer de mama precoce (RH+, Her2-, linfonodo +);
  • acetato de lanreotida – tumores neuroendócrinos;
  • pazopanibe – câncer renal metastático;
  • rituximabe – leucemia linfocítica crônica (1ª linha), linfoma folicular e linfoma difuso;
  • abiraterona – câncer prostático resistente à hormonoterapia não metastático e metastático;
  • gefitinibe – câncer pulmonar não pequenas células em primeira linha;
  • TSH recombinante (alfatirotropina) – câncer diferenciado da tireoide com necessidade de iodo radioativo;
  • sunitinibe – câncer renal claro metastático e GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe.

Inovações Adicionais  

O ministro anunciou também que o SUS iniciará um programa de rastreamento para detecção precoce do câncer intestinal. Cerca de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) serão distribuídos a todos os estados para esse propósito.

Esse exame será utilizado para identificar indivíduos assintomáticos entre 50 e 75 anos que necessitarão realizar colonoscopias para confirmação diagnóstica. A taxa de precisão é estimada em 92%.

“Estamos estabelecendo o maior programa público do mundo para rastreamento do câncer colorretal. Nenhum outro país irá implementar algo dessa magnitude”, afirmou Alexandre Padilha.

Outra iniciativa em andamento no SUS é o rastreamento do câncer cervical através do teste DNA-HPV. Como complemento à estratégia, o ministério financiará citologia reflexa em meio líquido utilizando a mesma coleta para avaliações adicionais. O investimento anual será superior a R$ 2,7 milhões destinados a mais de 131 mil testes.

Além disso, o Ministério passará a cobrir cirurgias videotorácicas oncológicas focadas principalmente no tratamento do câncer pulmonar. Essa técnica minimamente invasiva requer pequenas incisões e utiliza câmeras especializadas. Os benefícios incluem redução no tempo hospitalar e diminuição das complicações pós-operatórias.

Ainda durante o evento, Padilha assinou um compromisso para três anos do Proadi-SUS com um aporte total de R$ 4 bilhões em investimentos futuros.

Esse montante representa cerca de um terço dos recursos mobilizados nos últimos 17 anos pelo programa (R$ 11 bilhões).

O ministro enfatizou que os hospitais envolvidos no Proadi — incluindo Albert Einstein, Sírio-Libanês e A.C. Camargo — desempenham um papel fundamental na saúde pública.
“Essas instituições contribuem significativamente na transferência tecnológica e capacitação profissional dentro da gestão do SUS. Vários deles operam atualmente com mais leitos destinados ao SUS do que aos seus próprios serviços privados”, ressaltou Padilha.

Pela primeira vez, será implementado um Hospital Inteligente em colaboração com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI).

O primeiro hospital completamente inteligente do SUS será instalado no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“O projeto inclui UTIs equipadas com tecnologias altamente conectadas e inteligência artificial que permitem monitoramento remoto em tempo real. Profissionais poderão acompanhar tudo que ocorre na UTI independentemente da sua localização”, explicou Padilha.

“Adicionalmente à modernização laboratorial nas áreas patológicas anatômicas, os laudos das biópsias terão seu tempo reduzido significativamente — passando uma semana para apenas 48 horas — mediante telediagnóstico”, completou ele.

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